Egressa da UEL é destaque no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026

Iniciativa do Sebrae reconhece a trajetória da pesquisadora Maria Luiza Abreu no setor de Ciência e Tecnologia, evidenciando o potencial da universidade pública em transformar conhecimento científico em inovação de mercado.

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Uma egressa da UEL foi classificada em 2º lugar na etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026 (PSMN). A trajetória empreendedora de Maria Luiza Abreu foi escolhida após um processo de seleção do qual participaram 597 mulheres inscritas de várias regiões do Paraná.

Criado em 2004 para celebrar o empreendedorismo feminino no Brasil, o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios está em sua 21ª edição e possui três etapas progressivas, a estadual, a regional e a nacional. Apenas as classificadas em 1º lugar da etapa estadual prosseguem na competição.. O Prêmio é voltado para mulheres que transformam ideias em resultados com inovação e fazem a diferença em sua região, gerando impacto social e econômico. Maria Luiza conquistou a segunda colocação na categoria Ciência e Tecnologia.

Aos 30 anos, Maria Luiza é cofundadora e CEO da Bio3 Pesquisa e Desenvolvimento, uma startup de base científica fundada em 2023, com foco no desenvolvimento de bioinsumos, utilizando microrganismos, biotecnologia, metabolômica, bioinformática e ferramentas de inteligência artificial. “Nosso objetivo é fazer a ponte entre a ciência e o mercado, transformando conhecimento científico em produtos e tecnologias que possam chegar em escala aos usuários finais”, afirma.

A trajetória de Maria Luiza como empreendedora teve raízes em sua infância, já que, como morava na zona rural, sempre teve contato com a natureza. “Foi nesse ambiente que nasceu minha conexão profunda com as plantas, os animais e o meio ambiente. Desde criança, eu sabia que queria trabalhar com algo que pudesse proteger a natureza e gerar impacto positivo para as pessoas”, conta.

Entre o sonho e o empreendedorismo, uma ponte fundamental: a UEL. Maria Luiza fez o curso de Ciências Biológicas na Universidade e as pesquisas logo lhe atraíram. Passou no Vestibular e, já no primeiro ano da graduação, começou um estágio com o professor Admilton Gonçalves de Oliveira, professor do Departamento de Microbiologia e atual diretor da Agência de Inovação Tecnológica da UEL (Aintec). Foi nessa fase, inicialmente no Laboratório de Ecologia Microbiana (LEM) e depois no Laboratório de Biotecnologia Microbiana (Labim), que Maria Luiza construiu a maior parte de sua trajetória acadêmica. “Foi nesse ambiente que tive contato com a pesquisa aplicada e comecei a compreender que a ciência poderia ultrapassar os limites da universidade e chegar à sociedade”, diz.

Ainda segundo Maria Luiza, ver uma pesquisa nascer num laboratório, transformar-se em tecnologia e chegar ao mercado mostrou que a Universidade também pode ser um espaço de criação de soluções e de geração de impacto econômico e social. No Labim, Maria Luiza fez seu Trabalho de Conclusão de Curso, Mestrado e Doutorado. “Foi no meio para o final do Doutorado que, junto com outros pesquisadores, fundamos a Bio3”, explica.

A empresa nasceu incubada dentro do Labim, por meio da Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da UEL (Intuel). Posteriormente, a Bio3 conseguiu montar seu laboratório próprio dentro incubadora Sprint, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Sobre sua passagem pela UEL, Maria Luiza diz que a Universidade foi fundamental para sua formação como cientista e como empreendedora. “A Universidade me proporcionou conhecimento, infraestrutura, orientação e, principalmente, um ambiente em que eu pudesse experimentar, pesquisar e desenvolver ideias. Então, quando penso na minha trajetória empreendedora, é impossível separá-la da minha trajetória acadêmica na UEL. Uma nasceu da outra”, afirma.

Trajetória acadêmica

Mas quem pode falar mais sobre a trajetória da Maria Luiza na UEL é o professor Admilton Gonçalves, que foi seu orientador de Mestrado, Doutorado e acompanhou sua vida acadêmica desde a graduação, quando a recebeu no Labim. “Ela conseguiu uma Bolsa de Inclusão Social e me escolheu como orientador na época e continuou trabalhando comigo, fazendo estágio de Iniciação Tecnológica e sempre trabalhando nessa linha de inovação”, conta.

Sobre as qualidades da ex-aluna, o professor ressalta a vontade dela de evoluir academicamente. “Ela é um modelo de estudante. Desde o primeiro ano se preocupou em fazer estágios, em se preparar com pesquisa, sempre interessada em inovação, em estar em laboratórios, para além de fazer apenas a graduação, e estudar sobre empreendedorismo, arriscar e empreender”, descreve.

A egressa da UEL diz que o Prêmio concedido pelo Sebrae tem um significado que vai muito além da sua colocação no Prêmio, representando o reconhecimento de uma trajetória que começou muito antes da criação da Bio3. “Hoje, olhando para trás, percebo que empreender não foi abandonar a ciência. Foi encontrar uma nova forma de fazer ciência chegar à sociedade. Uma das coisas mais bonitas da minha trajetória é justamente poder devolver à sociedade um pouco de tudo aquilo que a ciência e a universidade me proporcionaram”, complementa.

Via: O Perobal